quarta-feira, 29 de maio de 2019

PSICOLOGIAS EM CONSTRUÇÃO





“A interação social é a origem e o motor da aprendizagem.”

“Nós nos transformamos em nós mesmos através dos outros.”

(Vigotski)



A Psicologia Sócio-Histórica é uma vertente teórica da Psicologia, cujas proposições ligadas ao conhecimento do homem e sua subjetividade estão guiadas pela concepção materialista dialética (Marx). Ela surge no início do século XX, na União Soviética, momento em que esta procurava reconstruir-se as suas teorias científicas a partir do referencial marxista. Os autores que definem os fundamentos teóricos são: Alexandre Romanovich Luria (1902-1977); Aléxis Nicolaievich Leontiev (1903-1979) e Lev Seminovichi Vigotski (1896-1934).

A produção de Vygotski teve continuidade, na União Soviética, com trabalhos de Luria e Leontiev e posteriormente passou a ser estudada em outros países. Na América Latina, e especificamente no Brasil (década de 80), sua obra foi adquirindo espaço e se incorporando à área de Psicologia Social com destaque para Silvia Lane e Psicologia da Educação (teorias construtivistas da aprendizagem, em especial pela influência de Emília Ferrero). 

Atualmente, estes conhecimentos expressam diferentes leituras da obra de Vygotsky dentre os diversos grupos que se ocupam da elaboração e construção desta proposta: Psicologias em construção.

A Psicologia Sócio-Histórica, no Brasil, tem se constituído, fundamentalmente, através da crítica à visão liberal do homem, portanto, critica as seguintes idéias:

- O homem visto como ser autônomo;

- Relação de antagonismo entre o homem e a sociedade;

- Uma visão de fenômeno psicológico.

Entende-se que estas concepções liberais construíram uma ciência em que o mundo psicológico foi deslocado do campo social e material.

São princípios da Psicologia Sócio-histórica:

- A compreensão das funções superiores do homem não pode ser alcançada pela psicologia animal (experimentos, por exemplo), pois os animais não tem vida social e cultural.

- As funções superiores do homem não podem ser vistas apenas como resultado da maturação de um organismo que já possui, em potencial, tais capacidades.

- A linguagem e o pensamento humano têm origem social.A consciência e o comportamento são aspectos integrados de uma unidade, não podendo ser isolados pela Psicologia.

- Todos os fenômenos devem ser estudados como processos em permanente movimento e transformação.


O homem constitui-se e se transforma ao atuar sobre a natureza com sua atividade e seus instrumentos.

Não se pode construir qualquer conhecimento a partir do aparente. É preciso rastrear a evolução dos fenômenos, pois as explicações para sua aparência atual estão em sua gênese e em seu movimento. 

A mudança individual tem sua raiz nas condições sociais da vida. 


O homem é um ser ativo, histórico e social


Ativo: O homem constrói sua existência a partir de uma ação sobre a realidade, objetivando satisfazer suas necessidades.

Social: as ações e as necessidades do homem são sociais.

Histórico: suas necessidades e suas ações são produzidas historicamente em sociedade.

O processo histórico é construído pelo homem e é esse processo histórico que também constrói o homem (enquanto ser ativo, social e histórico).



A vida que se tem é que determina a consciência!






PSICOLOGIA COMO PROFISSÃO

De fato, pensar a Psicologia enquanto profissão não é uma tarefa simples!

Enquanto ciência que ainda engatinha no emaranhado das diversas teorias criadas, algumas em constante aprimoramento, é muito importante que o Psicólogo se situe dentro de sua profissão, de modo a atuar com ética, compromisso e cuidado. Afinal, lidar com o sofrimento mental, seja individual ou coletivamente, implica em imensa responsabilidade por parte do profissional.

Enquanto Psicólogos, há que se pensar em uma formação contínua, na lapidação e revisão das técnicas e abordagens aprendidas e, principalmente, no trabalho pessoal, eis que para saber ouvir é necessário que os 'barulhos da mente' já estejam devidamente alocados em nossa psique.


"Mas para ser Psicólogo eu preciso fazer terapia?"

Ora, você acredita ou não no potencial da profissão que irá exercer?

Uma pergunta respondida com outra pergunta...



PSICOLOGIA - 50 ANOS DE PROFISSÃO NO BRASIL







"POR QUE VOCÊ ESCOLHEU ESTUDAR PSICOLOGIA? (Por Ana Suy)

Invariavelmente os professores fazem esta pergunta, mais de uma vez, aos estudantes de psicologia do primeiro período. Como eu começo a dar aulas para alunos de psicologia a partir do segundo período, nunca perguntei assim, mas eu já fui estudante de psicologia e sei que as respostas costumam girar em torno de argumentos tais como "para ajudar as pessoas", "porque meus amigos disseram que eu sou paciente para ouvir", "dou bons conselhos embora não os siga", "quero entender a mente humana" etc.

O fato é que, na verdade, em geral, a gente sequer sabe por que vai estudar psicologia. "O Eu não é senhor de sua própria casa", nos diz Freud. Então, por razões que geralmente desconhecemos, escolhemos a graduação que queremos cursar, ou o que pensamos querer, ou, ainda, a que parece nos horrorizar menos - e segue o baile. Mas a gente acha, acha mesmo, que vai encontrar uma grande massa homogênea chamada "a psicologia", e que com ela aprenderemos a entender os outros e principalmente a nós mesmos.

Rapidamente, o estudante de psicologia descobre que "a psicologia" enquanto singular não existe, que o que existe são "as psicologias". Ou seja, há diferentes linhas teóricas. Isso significa que cada linha teórica vai dizer uma coisa diferente sobre um mesmo fenômeno psicológico. O estudante de psicologia, bem intencionado, porque os estudantes de psicologia geralmente são pessoas que vão estudar achando que é para ajudar os outros, pensa: vou fazer uma mistura e usar um pouco de cada, vai ficar ótimo. Ledo engano. Logo, se o estudante de psicologia for alguém dedicado, ele descobrirá que é impossível. As linhas teóricas são incompatíveis e muitas vezes fazem leituras opostas sobre uma mesma coisa. Não dá pra ter duas linhas teóricas ao mesmo tempo quando uma diz algo avesso à outra.

Assim, o estudante de psicologia fica um tanto assustado, porque se dá conta de que enquanto profissional da psicologia, não vai dar pra assumir o lugar do "isentão", uma vez que, para "escolher" qual linha irá seguir, deverá ter que bancar a sua escolha.

E como é que se faz essa escolha? Ou, como é que se banca essa escolha?

É aí que mora o perigo. Ninguém escolhe a linha psicológica porque ela está na moda, porque tem mais artigos científicos, porque acha que é chique ou porque vai dar mais dinheiro (embora a relação com os professores possa nos influenciar em vários aspectos das construções dessas fantasias), mas a gente "escolhe" a tal da linha psicológica simplesmente porque descobre que a gente funciona como ela. Coloco aspas no "escolhe" porque se trata mais do reconhecimento do nosso próprio modo de funcionamento do que de uma escolha consciente, tal como a gente escolhe a melhor fruta no mercado.

Então, digo que é aí que mora o perigo, porque, independente de nos darmos ou não nos darmos conta disso, estudar psicologia é estudar a si mesmo, por várias vertentes. E se é comum dentre os estudantes de psicologia e os psicólogos o dito de que "não somos nós quem escolhemos a linha, mas é a linha que nos escolhe", é bem porque sabemos que se trata mais de um reconhecimento do que de uma escolha.

De minha parte, amei muito todas as teorias psicólogicas e cogitei seriamente me especializar em cada uma delas até entender, de fato, o que era o complexo de édipo. Coisa que, vejam bem, não entendi na universidade, mas em minha própria análise, já no oitavo período do curso. (Agora, como é que eu tinha decidido fazer análise psicanalítica e não outra psicoterapia, mesmo antes de saber do meu desejo decidido pela teoria freudiana, "só deus sabe" - e por "deus" leiam aqui um nome que eu dou para o "inconsciente")

Assim, o mais frequente é que aquele que estuda psicologia, comece a se angustiar quando estuda. Não porque não entende a matéria ou porque tem coisas demais a estudar (embora essas sejam variáveis importantes), mas porque encontram a si mesmos nos textos. Aí desenvolvem a síndrome do "eu tenho isso". Tenho isso, isso também e isso. Tenho quase todos os transtornos do dsm, sou neurótico-psicótico-perverso, disfuncional, pouco assertivo e tenho todos os complexos já descobertos até aqui.

A consequência disso é um profundo estado de angústia, que cada um responde a seu próprio modo: recalcando, trocando de curso, se queixando em demasia das coisas a fazer, indo mal nas matérias etc. A saída que eu mais gosto para essa angústia é buscar análise ou psicoterapia.

E aí vocês podem argumentar como bem entenderem dizendo que estudante não tem dinheiro etc e essas coisas que eu também já vivi quando era estudante, mas o fato é que eu só tenho certeza de duas coisas na vida: a primeira é que todas as proparoxítonas são acentuadas (se bem que com a reforma ortográfica eu já ponho até isso em questão) e a segunda é de que é absolutamente IMPOSSÍVEL ser um bom profissional da psicologia sem se submeter à análise ou à psicoterapia. E não tô dizendo de ir a meia dúzia de sessões pra ver como é que é, mas tô dizendo de tomar a si mesmo como seu primeiro caso clínico, levar seu psiquismo a sério e fundar, assim, uma ética.

Lidar com a gente mesmo não é coisa que se aprenda na universidade. E não tem como trabalhar lidando com o outro sem essa primeira tarefa fundamental que é lidar com quem se é.

(Se me permitem outra sugestão, com licencinha: peçam recomendações de psicólogos ou analistas antes de irem a pessoas em quem vocês confiem. Quanto ao valor a se pagar, diferentes profissionais cobram diferentes valores - e a coisa pode variar muito mesmo. Não saiam repetindo clichês de que é caro sem antes sentar a bunda na poltrona do consultório de alguém e tentar acordar um valor. É claro que a coisa precisa ter um custo e não pode ser barata, mas o que é caro para cada um é bem variável. Além disso existem clínicas-escola de psicologia em todas as faculdades que têm curso de psicologia onde muitas vezes o atendimento é gratuito ou por um valor simbólico, também tem vários profissionais recém-formados que são muito sérios e éticos em seus trabalhos e têm ampla disponibilidade para negociação)."



OS DESAFIOS DE SER PSICÓLOGO NO BRASIL






quarta-feira, 22 de maio de 2019

O DIAGNÓSTICO DE JUNG SOBRE HITLER


O diagnóstico mais preciso de Hitler seria o de pseudologia phantastica, ou seja, uma forma de histeria que se caracteriza pela capacidade especial em acreditar nas próprias mentiras.

Tais pessoas têm, geralmente, durante algum tempo, um êxito avassalador sendo por isso perigosas para a sociedade. Nada é mais convincente do que se acreditar que a própria mentira, a própria maldade ou má intenção sejam boas; em todo caso, é bem mais convincente do que um homem simplesmente bom e sua boa ação ou de um homem mau e sua má ação. 

O povo alemão não se teria deixado convencer (a não ser algumas poucas exceções inexplicáveis) pelos gestos de Hitler tão ridículos e patéticos, ou seja, tão manifestamente histéricos e pelos seus discursos prolixos, se a sua figura, que a meus olhos parecia um espantalho psíquico (com um braço estendido à semelhança de um cabo de vassoura), não refletisse a histeria geral dos alemães. 

Não é sem restrições que ousamos compreender todo um povo como "psicopaticamente inferior"-, mas Deus sabe que esta foi a única possibilidade de se explicar de alguma maneira o efeito produzido nas massas por esse espantalho. No rosto desse demagogo se podia ler uma triste falta de formação que produziu uma presunção delirante, uma inteligência mediana dotada de astúcia histérica e uma fantasia de poder adolescentes. 

Seus movimentos eram todos artificiais e preestudados por um cérebro histérico que só se preocupava em causar impressão. Ele se comportava publicamente como alguém que conduz sua própria biografia, comportando-se, nesse caso, como o herói sinistro, "durão", "demoníaco" das novelas baratas e do mundo imaginário de um público infantil que apenas conhece o mundo através das "divas" dos filmes de segunda categoria. 

Destas impressões concluí já naquela época (1937) que as catástrofes seriam inevitáveis e mais sangrentas do que havia suposto até então. 

(C. G. Jung, Aspectos do drama contemporâneo, parágrafo 419)


Fonte: ELFP - Escola Lacaniana de Formação Psicanalítica (www.escolalacaniana.org)


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domingo, 12 de maio de 2019

PSICOLOGIA ANALÍTICA

Carl Gustav Jung nasceu a 26 de julho de 1875, em Kesswil, na, Suíça, era filho de Paul Achilles Jung, que exercia as funções de pastor protestante naquela localidade. 


Mudou-se para Basiléia aos 4 (quatro) anos de idade, lá concluindo seus estudos, inclusive o curso médico, no ano de 1900, aos 25 anos. Deixou Basiléia para ocupar o cargo de segundo assistente no Hospital Burgholzli, de Zurique, em dezembro de 1900, instituição que desenvolveu importante atividade científica, sob a direção de Eugen Bleuler, sem dúvida um dos maiores psiquiatras de todos os tempos.


No ano de 1905, Jung foi designado primeiro Oberartz, assumindo o posto imediatamente abaixo de Bleuler na hierarquia do hospital, trabalhando incansavelmente como seu colaborador.


Destacam-se suas experiências sobre as associações verbais, cujo objetivo era esclarecer sobre a estrutura psicológica da esquizofrenia. Tais experiências conduziram-no à descoberta dos complexos afetivos. A conceituação de complexo, juntamente à técnica para detectá-lo, foi a primeira contribuição de Jung à psicologia moderna.


Somente no ano de 1907, Jung entrou em contacto pessoal com Freud, o que ocorreu no dia 27 de fevereiro, em Viena. Nesta visita, ambos conversaram por treze horas a fio, sendo que Freud logo reconheceu o alto valor de Jung, o qual deveria se tornar seu herdeiro na condução psicanálise, não fossem suas divergências posteriores. Freud viu em Jung "um filho mais velho”, um “sucessor e príncipe coroado" (carta de Freud à Jung, datada de 16.4.1909).


Nos anos que se passaram, entre 1907 e 1912, estabeleceu-se entre estes dois ilustres pensadores estreita colaboração. No outono de 1909, viajaram juntos aos Estados Unidos, por ocasião das comemorações do vigésimo aniversário da Clark University. Freud ali pronunciou as célebres cinco conferências sobre psicanálise e Jung apresentou seus trabalhos relativos às associações verbais.


Em 1910,  foi fundada a Associação Psicanalítica Internacional. Freud usou toda sua influência para que Jung fosse eleito presidente dessa Associação, o que ocorreu. Porém, em 1912, o livro de Jung, METAMORFOSES E SÍMBOLOS DA LIBIDO marcava divergências doutrinárias profundas que motivaram o rompimento definitivo entre ambos.


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Dentre alguns dos conceitos principais desenvolvidos por Jung, destacam-se:


CONSCIENTE - Na área do consciente desenrolam-se as relações entre conteúdos psíquicos e o ego, que é o centro do consciente. Para que qualquer conteúdo psíquico torne-se consciente terá necessariamente de relacionar-se com o ego. Os conteúdos que não entretêm relações com o ego constituem o domínio imenso do inconsciente. Jung define o ego como um complexo de elementos numerosos, formando uma unidade bastante coesa para transmitir impressão de continuidade e de identidade consigo mesma.


INCONSCIENTE - O inconsciente, na psicologia jungueana, compreende inconsciente pessoal e inconsciente coletivo.


Inconsciente pessoal - Esta denominação refere-se às camadas mais superficiais do inconsciente, cujas fronteiras com o consciente são bastante imprecisas. Aí estão incluídas as percepções e impressões subliminares dotadas de carga energética insuficiente para atingir o consciente; combinações de idéias ainda demasiado fracas e indiferenciadas; traços de acontecimentos ocorridos durante o curso da vida e perdidos pela memória consciente; recordações penosas de serem relembradas; e, sobretudo, grupos de representações carregados de forte potencial afetivo, incompatíveis com a atitude consciente (complexos). Acrescente-se a soma das qualidades que nos são inerentes, porém, que nos desagradam e que ocultamos de nós próprios, nosso lado negativo, escuro. Esses diversos elementos, embora não estejam em conexão com o ego, nem por isso deixam de ter atuação e de influenciar os processos conscientes, podendo provocar distúrbios tanto de natureza psíquica quanto de natureza somática.


Inconsciente coletivo - Corresponde às camadas mais profundas do inconsciente, aos fundamentos estruturais da psique comuns a todos os homens.

"Do mesmo modo que o corpo humano apresenta uma anatomia comum, sempre a mesma, apesar de todas as diferenças raciais, assim também a psique possui um substrato comum. Chamei a este substrato inconsciente coletivo. Na qualidade de herança comum transcende todas as diferenças de cultura e de atitudes conscientes, e não consiste meramente de conteúdos capazes de tornarem-se conscientes, mas de disposições latentes para reações idênticas.” (JUNG)


No âmago do inconsciente coletivo Jung descobriu um centro ordenador: o self (si mesmo). Desse centro emana inesgotável fonte de energia. Em determinadas circunstâncias esse centro corresponde ao superego da psicologia freudiana.


ARQUÉTIPOS - São possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar. São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma. Jung compara o arquétipo ao sistema axial dos cristais que determina a estrutura cristalina na solução saturada sem possuir, contudo, existência própria. O arquétipo funciona como um nódulo de concentração de energia psíquica. Quando esta energia, em estado potencial, atualiza-se, toma forma, então teremos a imagem arquetípica. Não poderemos denominar esta imagem de arquétipo, pois o arquétipo é unicamente uma virtualidade.


PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO - O processo de individuação não consiste num desenvolvimento linear. É movimento de circunvolução que conduz a um novo centro psíquico. Jung denominou este centro self (si mesmo). Quando consciente e inconsciente vêm ordenar-se em torno do self a personalidade completa-se. O self será o centro da personalidade total, como o ego é o centro do campo do consciente.A individuação nada mais é do que a tendência instintiva a realizar plenamente potencialidades inatas. 


SONHOS: Jung publica a obra “Metamorfose e Símbolos da Libido” em 1913, fundando assim a Psicologia Analítica em que expõe abertamente as suas ideias em grande parte contrária à psicanálise.

A título de exemplo contrário à psicanálise: Jung acredita na importância da sexualidade na vida humana, porém, não a considera como o único e principal motivo propulsor da vida e das causas das doenças psíquicas.

Em relação à interpretação dos sonhos, Jung discorda do método de interpretação estruturado por Freud e formula seu próprio método. Ao contrário deste, crê na importância da busca da espiritualidade para uma vida saudável.

Nesse passo, na visão junguiana o sonho é um mecanismo psíquico que revela um “mapa” do desenvolvimento da personalidade na busca (consciente ou inconsciente) da vivência do si mesmo (processo de individuação). Não esconde o que quer “dizer”. Muito pelo contrário, expressa realmente o que quer expressar, porém, através de símbolos. 

Ao contrário do que sustentava Freud ao dizer que os símbolos escondem o real significado dos sonhos (a expressão de pulsões, desejos sexuais), Jung acredita que os símbolos exprimem o real significado dos sonhos (um “mapa” do processo de individuação).

SOMBRA: a sombra constitui-se de um arquétipo, geralmente desconhecido do eu, que tende a ser projetado nos outros. Esse arquétipo esconde nossas virtudes e defeitos, e se divide em dois aspectos:

·   Positivo: esconde qualidades positivas, virtudes, as quais o próprio indivíduo não possui consciência. Ex.: Pessoas que praticam determinadas atividades altruístas sem se darem conta do valor social dessas ações.

·     Negativo: é o lado sombra do ser humano, que também tende a ser projetado nos outros. Exemplos de qualidades negativas: inveja, egoísmo, ciúme doentio, ódio, mesquinhez, mentiras, falsidades, etc.

ANIMA: alma animadora, a parte feminina dentro da psique masculina, normalmente a influência da mãe ou da figura feminina importante na criação do homem.

No homem seu consciente é masculino, porém, seu inconsciente é de natureza feminina (dominado pela anima).

O homem geralmente acredita que é a razão que domina sua vida, porém, são os sentimentos, as emoções.

A anima possui dois aspectos:

·    Positivo: quando o homem toma consciência de sua anima, o lado feminino de sua psique, este aprende a lidar com seus próprios sentimentos, com a mulher, e com as pessoas de maneira geral.

·     Negativo: o homem que não toma consciência de sua anima, torna-se prisioneiro dela podendo o sue eu vir a expressar o não reconhecimento da anima desencadeando comportamentos como: dependência, ansiedade, irritabilidade, angustia, melancolia, entre outros.

ANIMUS: alma animadora, a parte masculina dentro da psique feminina, normalmente a influência do pai ou da figura masculina importante na criação da mulher.

A mulher geralmente acredita que são os sentimentos que dominam sua vida, porém, é a razão.

Na mulher seu consciente é feminino, porém, seu inconsciente é de natureza masculina (dominado pelo animus).
O animus possui dois aspectos:

·     Positivo: a mulher que toma consciência de seu animus, dos aspectos masculinos de sua psique, tem muito mais recursos para lidar com suas reflexões e, assim, com o homem e as pessoas de maneira geral.

·        Negativo: a mulher que não toma consciência de seu animus torna-se prisioneira dele (uma vez que o eu fica subjugado pelo animus). Quando o animus subjuga o eu pode expressar-se na forma de dependência, subserviência, juízos irrefletidos, preconceitos infundados, certezas não fundamentadas, “teimosias”.

TIPOS PSICOLÓGICOS:

Fluxo de libido: extroversão e introversão

Jung indica que a libido (energia psíquica) flui em dois sentidos:

- extroversão: de dentro para fora da psique o indivíduo tende a se orientar por fatores objetivos, externos.

- introversão: de fora para dentro da psique o indivíduo tende a se orientar por fatores subjetivos, internos.

A extroversão e a introversão estão presentes em todas as pessoas de duas formas opostas e complementares.


Assim sendo, se o indivíduo tem no plano consciente a extroversão como sua orientação principal, seu inconsciente terá como função inferior e indiferenciada (mas oposta e complementar à orientação do consciente) a introversão. Seu consciente é extrovertido, porém, seu inconsciente é introvertido.



Fontes:

Silveira, N. Jung: vida e obra. 7 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

Luis Marcelo Alves Ramos < http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/118968/1/ppec_616-671-1-PB.pdf> consulta em 21/05/2019.




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Saiba mais um pouco das diferenças entre as teorias formuladas por Freud e Jung!




quarta-feira, 8 de maio de 2019

PSICOLOGIA HUMANISTA EXISTENCIAL



A psicologia Humanista surgiu na década de 50, mas foi na década de 60 e 70 que se expandiu como terapia.

Seus principais teóricos foram Abraham Maslow (1908-1970), e Carl Rogers (1902-1987).

A abordagem da psicologia Humanista consiste na abordagem centrada na pessoa, ou seja, é uma forma de se ver o indivíduo por ela própria, e não pelo seu ambiente ou relações familiares.

Portanto, a Psicologia Humanista parte do princípio que naturalmente o ser humano tende à saúde e ao crescimento pessoal, tendo o analista apenas que caminhar junto com o cliente.

Carl Rogers, nessa linha terapêutica, entende que não deve haver hierarquia entre analista e cliente, mas ambos se desenvolvem juntos. Diferentemente da psicanálise que entende que na relação entre cliente e analista existe o “sujeito do suposto saber”, que está mais preparado a intermediar/manejar o cliente junto aos seus problemas trazidos para a análise.

Outra característica da Psicologia Humanista é o fato da abordagem ser concentrada no momento presente do indivíduo e no ser humano, não sendo o passado do cliente o principal enfoque para o tratamento. O que também se difere da Psicologia Comportamental que tem como enfoque o ambiente/comportamento, da Gestal terapia cujo enfoque é a percepção, e da psicanálise cujo enfoque é o inconsciente.

Assim sendo, pelo fato da abordagem da Psicologia Humanista ser concentrada na pessoa, referida linha aborda o ser humano como sendo único e singular, o que também se difere da psicanálise agrupa a psique do indivíduo como: neurótico, psicótico ou perverso. Para Carls Rogers o indivíduo é único e exclusivo, não cabendo nenhum tipo de agrupamento ou princípio na análise da pessoa.

Ainda, para Rogers, a angústia psicológica era causada pela desarmonia entre o autoconhecimento real (o que se é de fato) e o ideal para si (o que se deseja ser).


OBJETIVO DA TERAPIA HUMANISTA


O objetivo da terapia na linha humanista consiste em liberar o núcleo de personalidade do indivíduo estimulando o seu amadurecimento emocional e a redescoberta de autoestima, autoconfiança e aceitação de si, tornando-o mais flexível e adaptando-o a objetivos mais realistas.

No que se refere ao objetivo de “liberar o núcleo de personalidade”, a ideia de Rogers se aproxima demasiadamente à teoria de Sócrates, no sentido de que cada um tem um conhecimento dentro de si, e esse conhecimento somente cada indivíduo pode manifestar, cabendo ao terapeuta apenas despertar isso na pessoa.


PRINCÍPIOS DA PSICOLOGIA HUMANISTA


- Tendência Atualizante: o indivíduo tem a capacidade de se conhecer, se compreender, bem como reconhecer suas potencialidades e aprimorá-las. Isto porque, nossas capacidades e potencialidades vão se alterando no decorrer da vida, conforme nos desenvolvemos.

- Não Diretividade: cada indivíduo é único e somente ele tem a capacidade de se conhecer e se compreender.

- Aceitação Positiva e Incondicional: aceitar o cliente como ele é, sem julgamento moral, sem crítica, sem agrupá-lo ou classifica-lo.

- Congruência: a capacidade do indivíduo de aceitar ser autêntico, aceitando seus sentimentos e atitudes.

Quanto aos Princípios, esses não são princípios que o terapeuta deve trazer para aplicar no cliente, e nem mesmo são princípios que o terapeuta vai usar somente para ele, mas são princípios que ambos (terapeuta e cliente) vão compartilhar.

Por fim, Rogers ainda desincumbiu de fazer a utilização do termo “cliente” e não “paciente”, justamente para não haver hierarquia entre analista e analisando, por isso que neste artigo utilizamos o termo “cliente”.



CRÍTICAS


As críticas a essa abordagem centrada na pessoa residem no fato de que indivíduos com distúrbios mais graves, não teriam suporte emocional suficiente para um autoconhecimento e modificação de conceitos. Porém, mesmo com essa deficiência, a abordagem centrada na pessoa, possui muitos adeptos, por valorizar as pessoas, adaptando as teorias a elas e não elas a teoria.


Bibliografia:

- Psicologia fenomenológica: uma aproximação teórica humanista. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/3953/395335850010.pdf>.

- Psicologia Humanista. Disponível em: <https://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/>