domingo, 2 de junho de 2019

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

As novas concepções de atuação profissional que enfatizam a prevenção e a promoção de saúde fazem com que profissionais de várias áreas busquem na Psicologia do Desenvolvimento subsídios teóricos e metodológicos para sua prática profissional. São os desafios do século XXI!

O que está em questão é o desenvolvimento harmônico do indivíduo, que integra não apenas um aspecto, mas todas as dimensões do desenvolvimento humano sejam elas: biológicas, cognitivas, afetivas ou sociais. Assim, é preciso que se entenda como as questões pertinentes ao desenvolvimento humano foram tratadas no passado, como elas evoluíram para que possamos tomar decisões a respeito de perspectivas futuras.

O desenvolvimento humano envolve o estudo de variáveis afetivas, cognitivas, sociais e biológicas em todo ciclo da vida. Desta forma faz interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia, antropologia, sociologia, educação, medicina entre outras. Tradicionalmente o estudo do desenvolvimento humano focou o estudo da criança e do adolescente, ainda hoje muitos dos manuais de psicologia do desenvolvimento abordam apenas esta etapa da vida dos indivíduos.

Ao ampliar o escopo de estudo do desenvolvimento humano, para além da infância e adolescência, a psicologia do desenvolvimento acaba por fazer interface também com outras áreas da psicologia. Só para citar algumas áreas temos: a psicologia social, personalidade, educacional, cognitiva. Assim surge a necessidade de se delimitar esse campo de atuação, definindo o que há de específico a psicologia do desenvolvimento humano. 

Dizer que ao longo do tempo mudanças ocorrem na vida dos indivíduos não nos esclarece sobre as importantes questões que permeiam a vida humana. O tempo é apenas uma escala, não é uma variável psicológica. Portanto, é preciso entender como as condições internas e externas ao indivíduo afetam e promovem essas mudanças.

As mudanças no desenvolvimento são adaptativas, sistemáticas e organizadas, e refletem essas situações internas e externas ao indivíduo que tem que se adaptar a um mundo em que as mudanças são constantes.

Teorias contemporâneas do desenvolvimento aceitam que as mudanças são mais marcadas em períodos de transição rápida, mas mudanças ocorrem ao longo de toda a vida do indivíduo. Portanto, é preciso se ampliar o escopo do entendimento do que é o estudo do desenvolvimento humano.

Através da identificação dos fatores que afetam o desenvolvimento humano podemos pensar sobre trabalhos de intervenção mais eficazes, que levem a um desenvolvimento harmônico do indivíduo. Sendo assim, os conhecimentos gerados por essa área da psicologia trazem grandes contribuições para os trabalhos de prevenção e promoção de saúde. Aqui a concepção de saúde adquire uma perspectiva mais ampla e engloba os diversos contextos que fazem parte da vida dos indivíduos (escola, trabalho, família). 

Fonte:
MOTA, M. E. Psicologia do Desenvolvimento: uma perspectiva histórica.Temas em Psicologia — 2005, Vol. 13, nº 2, pág.105 – 111.

Confira o artigo na íntegra:



O QUE SIGNIFICA A INFÂNCIA?


A infância é uma invenção da Modernidade, sendo que sua possibilidade de emergência, conforme Ariès (1981), relaciona-se ao desenvolvimento da escrita e da escola, além de outros fatores, tais como o decréscimo da mortalidade infantil, a influência do cristianismo e as novas formas de vida familiar.

Apesar de Ariès utilizar o termo “descoberta”, ao invés de “invenção”, os seus estudos não apontam para uma noção de uma infância como etapa natural da vida dos seres humanos que, repentinamente, passa a ser percebida e valorizada, mas “como algo que vai sendo montado, criado a partir de novas formas de falar e sentir dos adultos em relação ao que fazer com as crianças” (Ghiraldelli, 2000, p. 49).

Tomar a infância como invenção, ou seja, como construção social, significa considerar o sujeito infantil como constituído nas práticas culturais e pelas mesmas, sendo que mesmo o conhecimento sobre a infância é produzido por uma determinada construção histórica e, ao mesmo tempo, produz o objeto que se propõe conhecer.
(...)

Uma afirmação corrente refere-se à ideia de que as crianças devem viver a infância e que esta é o que é, sendo necessários o respeito e a garantia de direitos considerados inerentes a essa etapa da vida. Ora, dizer que a infância é o que é e enfatizar a existência de direitos inerentes supõe estabelecer um único modo de ser criança, desconsiderando diferenças de gênero, classe social, raça, etnia, religião, nacionalidade, entre outras, ou seja, remete a uma noção de essência ou natureza infantil. 

Para discutir essa questão relativa a uma natureza infantil, utilizamo-nos das reflexões de Hannah Arendt, em seu livro A condição humana. Nesse texto, ela propõe que:


[...] tudo o que espontaneamente adentra o mundo humano, ou para ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da condição humana. (...) A objetividade do mundo – o seu caráter de coisa ou objeto – e a condição humana complementam-se uma à outra; por ser uma existência condicionada, a existência humana seria impossível sem as coisas, e estas seriam um amontoado de artigos incoerentes, um não-mundo, se esses artigos não fossem condicionantes da existência humana. (1989, p. 17)


Além disso, a autora frisa que condição humana e natureza humana não são sinônimos, visto considerar que nada nos autoriza a presumir que os seres humanos sejam portadores de uma essência ou natureza, do mesmo modo que as coisas as possuem. Além disso, fundamentando-se em Santo Agostinho, coloca que conhecermos uma (suposta) essência humana seria como “pular sobre nossa própria sombra” (Arendt, 1989, p. 18), pois não podemos falar de um quem como se correspondesse a um que.

Dessa maneira, considerando essa distinção entre condição e natureza e tomando como foco as crianças, à pergunta “quem eu sou?”, a única resposta possível é: “uma criança”; à pergunta “o que sou?”, não há resposta possível. 

Portanto, pode-se dizer “eu sou uma criança”, mas o “quê” (referente a uma presumida natureza infantil) não é passível de definição. A indagação “quem eu sou?” remete à questão da identidade, a qual é estabelecida pela representação. A representação é constituída pelas práticas de significação e pelos sistemas simbólicos que produzem os significados, construindo os lugares a partir dos quais os indivíduos podem se posicionar (Woodward, 2000).

Fonte:
De que infância nos fala a psicologia do desenvolvimento? Algumas reflexões.(Betina Hillesheim, Neuza Maria de Fátima Guareschi)

Confira na íntegra o artigo: 
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psie/n25/v25a05.pdf



PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO IT MALIA!




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